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Vera pronto para voltar às origens contra Jon Jones

Por Mike Russell

No verão de 2003, Brandon Vera estava na fila do supermercado e resolveu pegar a última edição da revista 'Muscle e Fitness' para folhear enquanto esperava sua vez de pagar. A capa mostrava um cara forte, com cara de mau, chamado Frank Mir, considerado a aposta do UFC. Junto da foto havia a legenda: Frank Mir: O cara mais forte do mundo? Ao olhar a foto e o texto que a acompanhava, Vera, que havia lutado apenas uma vez na vida, disse para si, "Um dia eu vou ser esse cara".

Três anos depois, Vera viu do outro lado da gaiola o cara que havia visto naquela capa de revista. A surrealidade do momento bateu naquele instante: ele iria lutar contra um campeão do UFC que já tinha sido considerado o futuro do esporte. Deixando os nervos e a insegurança de lado, Vera derrotou Mir em 69 segundos, se tornando assim a nova aposta do octógono.

Quase três anos e meio depois, Vera se encontra no lado oposto de quando enfrentou Mir. Dessa vez, ele é o veterano respeitado procurando dar um gás na sua carreira com uma vitória sobre um oponente há pouco tempo chamado de aposta, Jon "Bones" Jones.

Infelizmente para Jones, Vera garante que não está pronto para passar o posto ainda, e diz que pretende esquentar a luta entre os dois no UFC LIVE: Vera vs. Jones, dia 20 de março, em Broomfield, Colorado.

Mas o que ele tem feito de preparação para encarar um oponente perigoso e explosivo como Jones, que até agora nenhum outro lutador conseguiu parar?

"Nós o estudamos durante um tempo e sua mais fraqueza é a inexperiência. E esse é o grande fator nesse jogo. De resto ele é quase como um veterano, então vamos tentar procurar por esses buracos e explorá-los. Seu jogo é forte, seu ataque é bom, sua defesa é boa, seu trabalho de pés é bom".

Toda essa preocupação mostra que Vera está levando muito a sério a sua preparação para enfrentar Jones. E ao invés de se reinventar e chegar com novos métodos que podem ou não ter sucesso, ele voltou aos treinos que o tornaram a nova aposta do UFC na época da vitória sobre Mir.

"Eu parei de me preocupar com o que as pessoas pensam. Eu vou voltar a apenas tentar machucar as pessoas como eu fazia; Eu costumava chegar nas minhas lutas com a idéia fixa na cabeça de machucar os meus adversários. Não sei como, mas eu me afastei desse pensamento. Eu não sei se eu fui sugado pelo mundo da MMA de tentar não desapontar as pessoas. Mas eu já superei isso. Eu quero apenas voltar ao que eu era. Eu voltei a querer machucar as pessoas novamente. Eu quero que meus oponentes saibam o que é lutar contra mim. Quando você entra no octógono comigo, você vai lembrar disso e não vai querer fazer de novo".

O fator que forçou Vera e parar e mudar a forma como ele estava entrando nas suas lutas foi a sua derrota por decisão dividida para o uma vez campeão dos meio médios do UFC, Randy Couture. Apesar de ainda acreditar que venceu a luta, Vera diz que aprendeu muito nos 15 minutos de combate contra o membro do Hall da Fama do UFC.

"Eu ainda sinto que venci aquela luta. Eu levo isso comigo e uso todos os dias no treino. Eu tenho que vencer a minha lenda - meu herói; eu não acho que exista ninguém que possa me bater nesse momento. Esse é meu novo mantra. Eu nunca fui tão exigido em uma luta e nunca tive que lutar tão forte. Randy é como uma máquina que não se cansa nunca. Eu me lembro de ter ido feliz para o terceiro round contra Randy pois eu me sentia bem, acreditava no que estava fazendo. Estou tentando levar esse sentimento comigo".

Vera está aproveitando essa volta aos seus primeiros dias de lutador para se dedicar novamente ao Jiu-Jitsu, arte marcial que ele aprendeu há muito tempo. O lutador explica que a única razão pela qual ele possui apenas uma vitória por finalização não é porque ele não se sente confortável no chão; é porque sua vontade de nocautear seus oponentes, o fizeram acreditar que ele era apenas um striker.

"Por alguma razão - eu não sei quando ou onde começou - eu passei a me preocupar com a defesa para não ser levado ao chão. Mas agora estou treinando isso e voltando às minhas raízes do Jiu-Jitsu. Então, se alguém me levar ao chão, vocês podem muito bem me ver finalizando alguém, talvez Jones, se ele me derrubar".

Apesar de Jones garantir em todas as suas entrevistas que a falta de experiência não dará nenhuma vantagem ao seu oponente, Vera discorda e diz que saberá quando olhar nos olhos do novato de 22 anos se ele está preparado mentalmente para o que irá acontecer quando as luvas se tocarem.