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Wilson Gouveia - Focado no futuro e não no passado

Por Martins Denis 

A reputação de Wilson Gouveia no Octágono vai além do seu recorde. À medida que se prepara para sua décima participação no UFC contra Alan "The Talent" Belcher, sábado, em Memphis, Tennesse, Gouveia - um antigo competidor do meio pesado e atualmente no médio - vai conquistando a todos com o seu estilo completo. 

E ganhando ou perdendo, Gouveia já provou que ele pertence à organização, com tudo que ele passou, servindo para transformá-lo em um veterano respeitado. 

"O mundo continua a girando e rapidamente", ele disse. "Estamos indo para a minha décima luta dentro da organização e eu me sinto muito bem em relação ao UFC. Eu sou um empregado que nunca pensa sobre rankings ou quem eles vão colocar contra mim." 

A luta com Belcher será a sua quarta no peso médio, uma categoria que ele iniciou depois de ser derrotado por Goran Reljic em maio de 2008. Para ele, as derrotas (ele também perdeu para Keith Jardine em 2006) não foram a única razão para a perda de peso, mas sim uma combinação de derrotas com o tamanho dos competidores do meio pesado. 

"Eu não senti diferença na força, mas sim na altura. Então eu aproveitei a oportunidade para começar de novo como um peso médio." 

O recomeço não foi fantástico para esse antigo vendedor de carro, que encerrou sua carreira para correr atrás do sonho no UFC. Gouveia lutou com a balança para alcançar o peso-limite de 84kg no UFC Fight Night 15, em setembro de 2008. E apesar da luta contra Ryan Jensen ter sido um sucesso para o brasileiro, a caminha até lá não foi assim. 

"Eu me sinto bem lutando nas duas categorias. Mas perder peso demanda uma dieta rigorosa, então isso se tornou uma 'nova forma de comer' que eu tive de adotar. De todos os sacrifícios que temos que fazer durante os treinamentos, a perda de peso é a pior. Mas no final, quando o resultado aparece, todas as coisas ruins são esquecidas." 

E isso refletiu naquela luta. 

"Quando eu encarei Jensen, eu realmente senti a perda de peso," ele conta sobre o pesadelo vivido nos primeiros momentos da luta. "Eu não tinha força, estava fraco, e aquilo foi muito estranho. Eu acho que depois das pesagens eu não tive a oportunidade de me recuperar totalmente." 

O armlock encaixado aos 2:04 do segundo round soou como a salvação de uma performance ruim de Wilson e não houve dúvida de que no seu próximo combate ele viria em melhor forma. Na luta com Jason MacDonald na final do oitavo TUF em dezembro de 2008, todos esperavam Wilson lutando e atacando bem para um peso médio. Mas novamente não foi isso que aconteceu. 

"Eu não bati o peso por 1kg e pouco, e sofri muito mais do que na estréia. Mas a recuperação foi melhor. A verdade é que quando você perde ou ganha, você aprende alguma coisa de algum lugar, seja na preparação, na pesagem ou na luta mesmo." 

Aprendizado, treinamento e foco - esses foram os fatores que Gouveia emanou quando a sua terceira luta na categoria foi oficialmente confirmada. O oponente era Nathan Marquardt, um antigo desafiante que Gouveia considerada o melhor lutador médio do UFC depois de Anderson Silva. Os quase 15 minutos de duração da luta (Marquardt venceu aos 3:10 do terceiro round no UFC 95 em fevereiro) não foram apenas testes para a mente, forma e força do brasileiro, mas uma prova de que ele poderia encarar os melhores em qualquer categoria. 

"Muitas pessoas vêm com desculpas quando são derrotadas, mas naquele momento ele era o melhor e é isso. Eu estou trabalhando para melhorar meu jogo e me tornar mais completo. Espero poder encará-lo novamente." 

Gouveia também é filosófico quando se trata da derrota. 

"Se eu não saí como vencedor foi porque Deus não quis. Eu sou consciente de que não estou preparado para encarar um cara do calibre do Anderson Silva. Por conta disso estou tentando melhorar como lutador, não apenas tecnicamente, mas psicologicamente também."

 

Mas não confunda realidade com medo. 

"Uma coisa é um cara pensar que ele vai vencer o campeão; mas vencer o campeão é uma coisa completamente diferente. Anderson é o campeão porque ele é o melhor e pronto. Claro que um dia alguém vai tirar o cinturão dele, mas até isso acontecer muitos competidores mostrarão confiança em derrotá-lo e, no momento da luta, não conseguirão cumprir o que prometeram." 

"Eu estou melhorando. Quando você tem a oportunidade de lutar pelo título, você precisa estar 100% em tudo. A pressão é grande e se você não tem uma cabeça boa, você não pode lutar bem." 

Lutando por  Coconut Creek, na Flórida, Gouveia, de 31 anos, alcançou um estágio na sua carreira onde uma boa vitória é tudo que ele quer. Contra Belcher - que, coincidentemente, também possui nove lutas no UFC - ele vai tentar reproduzir no Octágono a versatilidade e rapidez que ele tem na academia e que todos os seus companheiro de treino comentam. 

 

"Belcher é super forte, possui um grande jiu-jitsu e um Muay Thai afiado. Eu treinei muito, e, se Deus quiser, tudo dará certo para mim."

 

Assim como Gouveia, Belcher vem de uma derrota por decisão majoritária para Yoshihiro Akiyama no UFC 100, em julho. E quando dois caras famintos por uma vitória estão no Octógono, os fãs ficam ligados. 

"Eu acho que a luta será boa porque nossos estilos são similares. Mas o fato de termos vindo de derrotas adiciona ainda mais motivação." 

Observando cada luta como mais um passo na sua carreira, o cearense tem o que parece ser a solução para brilhar depois de falhar na sua última luta, e isso é pensar no futuro e não no passado. 

"Se eu ficasse preocupado com as derrotas que tive, teria encerrado minha carreira em 2003. Cada luta é diferente da outra. Essa será diferente da última. Então a formula é simples: Eu vou ao Octógono e tento fazer o meu trabalho. O resultado reflete a forma como eu treinei. Está tudo nas mãos de Deus."