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Rolles Gracie - Liderando o caminho para a próxima geração

Por Thomas Gerbasi

Se existe uma marca registrada da família Gracie, é a notável capacidade de executar e perseverar em situações que iriam quebrar a maioria das pessoas. Se isso foi ver Royce lutar e vencer adversários maiores, mais forte e mais rápidos do que ele no início da UFC, Renzo recusando-se a bater para a kimura de Kazushi Sakuraba no Pride, o brilho global de Rickson nas competições, a graça subestimada de Royler, ou a intensidade de Ryan, os membros da primeira família do MMA foram notavelmente hábeis em neutralizar a pressão quando estão no centro das atenções.

No próximo sábado, o card do UFC 109 no Mandalay Bay Events Center será aberto pelo segundo membro da família a competir no octógono - o peso pesado Rolles Gracie, filho de Rolls, neto Carlos Sr. e primo de Renzo e Royce. Fazer a sua estréia no UFC em Las Vegas já é bastante angustiante, fazê-la com o sobrenome Gracie poderia ser ainda mais angustiante, mas, na tradição da família real, Rolles está abraçando a oportunidade e o momento, e não fugindo dele.

"Para ser honesto, eu tenho tido mais carinho e muita energia e apoio de todos", ele disse. "Um monte de pessoas me enviaram mensagens através do meu site, através do Twitter e Facebook, e estou adorando. Agradeço o apoio e estou feliz por representar todas essas pessoas e não vou decepcioná-las".

Dito isto, a pressão da mídia em obter algumas citações do homem que carrega o legado mais importante no esporte, tem sido muito mais intensa do que a que é recebida por 99,9% dos lutadores estreantes do UFC que estão abrindo o card preliminar. Ele aceita, dizendo: "Eu vejo dessa forma, se as pessoas querem fazer entrevistas e coisas assim, é porque eles se importam. Então, tento me alimentar dessa energia, e isso me motiva a treinar ainda mais. Melhor ter todas estas entrevistas que nenhuma (Risos)".

Mas todo mundo se importa, simplesmente por causa do que sua família tem realizado no passado e que a nova geração de um lutador da família Gracie poderia apresentar em 2010. Então, quando você fala com ele, ele leva tudo com bom humor, que te faz pensar que ele nasceu para isso, porque de certa forma, é isso.

"Eu sempre soube que eu era uma espécie de garoto diferente na escola e no bairro por causa de todos os hábitos que tínhamos em casa", afirmou o Gracie, natural do Rio de Janeiro. "Quando eu era mais jovem, Jiu-jitsu não era tão popular no Brasil, então todas as outras crianças estavam fazendo diferentes artes marciais - estavam fazendo Karatê, Judô, e coisas assim, e eu o Jiu-jitsu. Eu tentava explicar o que era, e as pessoas não poderiam sequer pronunciar Jiu-jitsu".

Em 1993, o mundo começou a descobrir rapidamente o que era o Jiu-jitsu depois que Royce Gracie inaugurou o Ultimate Fighting Championship com uma vitória no torneio em que todo mundo ficou falando sobre esta arte misteriosa que forçava os adversários a desistir apesar de dispor de todas as vantagens físicas. O adolescente Rolles assistiu a esta e as outras façanhas de seus primos com grande interesse.

"Eu sempre vi os membros da minha família - meu pai, meus tios, meus primos - como meus heróis", ele disse. "Eles foram modelos para mim e eu sempre soube que queria ser como eles."

Com o passar do tempo, sua mãe queria que ele completasse a sua formação com uma educação universitária, mas depois de alguns anos, a sorte estava lançada - Gracie estava entrando no negócio da família.

"Eu tinha tudo configurado para seguir este caminho, mas eu nunca senti pressão para fazer isso", ele disse. "Se eu quisesse fazer outra coisa, eu poderia. Minha mãe sempre apoiou a minha formação, mas ela sempre me disse que eu deveria ir para a faculdade, conseguir um diploma, coisas assim. Eu não a ouvi. Quando eu tinha uns dois anos de faculdade, eu decidi seguir com minha carreira nas artes marciais".

A vasta lista de títulos na arte suave e no submission viriam para o faixa preta segundo dan de Jiu-jitsu, e enquanto mesclava um pouco do treinamento na luta em pé em sua preparação ao longo dos anos, nada aconteceu até ele se mudar para Nova York em 2004 e a idéia de competir no MMA começou verdadeiramente a tomar forma. Em 2007, ele fez sua estréia profissional na IFL com uma vitória por finalização sobre Sam Holloway, e mais dois triunfos em 2009 (também por finalização no primeiro round) sobre Baga Agaev e Peter Graham elevaram o seu recorde perfeito para 3-0. Era o tipo de desempenho que você espera de um Gracie.

"Sempre que eu decido fazer algo, quero me dedicar e tentar ser o melhor que posso", ele disse. "Eu me esforcei muito para isto e as vitórias foram conseqüência do meu treinamento duro e correto. Eu não sei se as outras lutas serão assim - espero que sim (risos), porque a minha mãe e minha esposa vão adorar, mas eu sei que existe um monte de caras durões por aí".

Neste sábado, aos 31 anos, ele fará sua estréia no UFC contra o substituto de última hora, Joey Beltran (que entrou no lugar de Mostapha Al Turk, que teve problemas de visto). Ele é mais velho e mais maduro do que muitos lutadores estreantes, e para Rolles, este é o momento perfeito.

"Eu sinto que agora o momento não poderia ser melhor para mim", ele disse. "Eu sinto que meu corpo está mais forte do que nunca, me sinto mais maduro do que nunca, e senti que se eu chegasse aqui cedo demais, eu poderia ser queimado e não daria continuidade a minha carreira no MMA. Agora eu estou fazendo isso porque eu tenho tudo na minha vida resolvido - eu tenho uma grande família, uma ótima mulher, um ótimo filho - então tudo está conectado para eu fazer isso. Tenho uma grande equipe, grandes treinadores, grandes parceiros de treino, por isso cada peça do quebra-cabeça está ligada. Não poderia haver momento melhor para mim".

E apesar do estereótipo impreciso de que um Gracie se fecha na academia e treina apenas Jiu-jitsu e nada mais, Rolles acrescentou à sua formação em Nova York, com Renzo Gracie, visitas à Albuquerque para treinar com Greg Jackson e sua equipe de destaques no MMA.

"Adoro ir para lá", Rolles afirmou. "Greg Jackson, antes de tudo, é um cara legal. Mas eu gosto de ir lá para treinar, porque os caras que eu vou lutar são exclusivamente lutadores de MMA. Em Nova York, tenho um grande treino com o Renzo e todos os meus parceiros, mas eles são muito mais caras do Jiu-jitsu e aceitam mais o jogo de chão. Eles não estão preocupados em ir para o chão comigo, e eu não acho que isso vai acontecer quando eu pisar no octógono. Eu acho que eles vão tentar evitar o jogo de chão, e foram atletas com esse estilo que eu pude treinar na academia do Jackson".

É claro que Rolles não está deixando nenhum aspecto do MMA sem a devida atenção, e apesar do fato de que Beltran é um trocador que provavelmente se encaixa no molde do lutador que não quer ir ao solo com um às do Gracie Jiu-jitsu, não existe ar de superioridade em torno do morador de Nova York, dizendo que ele vai simplesmente levar Beltran para baixo e o finalizar. Ele está se preparando para todas as possibilidades quando a campainha tocar.

"Quando você está lutando a este nível, você não tem o luxo de subestimar ninguém", ele disse. "Estou treinando muito, por horas, e será uma luta dura. Se eu cometer um erro, ele vai me castigar e se aproveitar disso, por isso, eu estou me preparando para uma guerra".

Ele também está se preparando para as expectativas que vêm com um crescido membro da família Gracie. E isso pode ser apenas um palpite, mas parece que Rolles Gracie vai ficar bem no olho da tempestade.

"Estou muito voltado para a família, por isso tudo que eu faço, primeiro é porque eu quero, mas eu também quero manter a chama acessa para a próxima geração, aqueles que seguirão o meu caminho", ele disse. "Eu quero ser um modelo para os jovens que querem seguir nessa linha de trabalho. Eu quero manter a linhagem como meus antepassados fizeram antes de mim. E tudo que eu faço, eu gosto de fazer bem, e mesmo se eu não tivesse esse sobrenome, eu ficaria muito triste e decepcionado com a derrota. Então eu vou fazer tudo que posso para sair do cage, com uma vitória".