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Rafael dos Anjos busca uma grande finalização contra Kyle Bradley

Natal e Ano Novo, dois feriados de fim de ano que as pessoas sempre aguardam com ansiedade. A celebração e todas aquelas deliciosas comidas que nós encontramos nas festas durante esse período são fantásticas. Mas como um lutador profissional curte esses momentos se ele está às voltas com dietas e preparações para um a luta no comecinho do ano seguinte? 

 

Para falar a verdade eu acho que ele passa fome e sofre bastante, mas é melhor perguntar a um competidor nessa situação. Então, nosso alvo é Rafael dos Anjos, o carioca que está confirmado para lutar na noite de hoje, dia 11 de janeiro no Patriot Center em Fairfax, apenas 11 dias dentro no novo ano, porém ele vê pelo lado positivo. Sim, isso existe. 

 

"É a primeira vez que luto numa data como essa", Rafael disso sobre o comecinho de janeiro. "Eu acho que isso é legal apesar de todas as comidas tentadoras que eu tive que resistir a não comer. Eu abusei de comidas light e minha mulher e minha família me ajudaram com isso. A pior parte foi em relação aos doces, eu amo isso, e não pude comer. Mas no fim de tudo eu acho que alguém por eu ter ficado afastado dos doces (referindo-se ao seu adversário Kyle Bradley). No último ano eu só fiz minha primeira luta em abril e só voltei a lutar de novo em setembro, então o ano de 2009 foi curto para mim. Agora, lutando em janeiro, eu espero que tudo corra bem e eu possa lutar pelo menos três vezes em 2010". 

             

O plano de Rafael é ambicioso e depende de uma série de fatores combinados. Primeiro: vencer seu adversário em 2010 - Bradley - rapidamente; segundo manter um padrão alto de treinamento sem contusões e terceiro: repetir os dois fatores anteriores ao longo do ano. Você acha que isso é pedir muito? Só ele pode responder. 

 

"Desde que lutei contra o Rob Emerson em setembro eu mantive um bom ritmo nos treinos", disse Rafael que já lutou seis vezes em 2007, três no mesmo mês e duas na mesma noite. "Eu estou vindo da minha primeira vitória no UFC e eu realmente que estar com essa sensação; eu não quero perder novamente". 

 

Rafael, um membro da Gracie Fusion, tinha muito que provar em sua última luta, mesmo tendo lutado bem nas suas duas primeiras lutas, ele perdeu, e uma derrota é uma derrota. Com um peso nos ombros, ele se saiu bem e mostrou um jogo diferente do esperado de um faixa preta de jiu-jitsu. Um muay thai afiado que machucou Emerson durante os três rounds no UFC 103.   

 

"Eu procuro não fazer o mesmo jogo em minhas lutas, eu tento usar as opções que eu tenho para sair vencedor," ele disse. "É muito raro eu ter um planejamento antes das lutas, eu tento adaptar meu jogo durante o combate e procuro falhas nos estilos dos meus adversários. Na minha última luta eu mostrei o muay thai que venho treinando com o professor Vander Valverde (um dos pioneiros do muay thai no Brasil) e o wrestling treinado com o Adrian Jaoude". 

 

"Contra o Bradley será a mesma coisa, eu vou sentir a luta". 

 

Talvez um dos aspectos que tem grandes chances de repetição contra Bradley serão os chutes nas pernas, porque em outubro do ano passado Rafael treinou na academia Sityodtong em Cingapura e poliu ainda mais seu muay thai. 

 

"O ensinamento deles é muito diferente do que estou acostumado a treinar aqui no Rio de Janeiro", ele disse. "Diante desses novos truques eu selecionei o que funcionava melhor para mim e os combinei com o que já tinha treinando para a luta em pé. Minha intenção é testá-los no octógono". 

         

Os chutes desferidos na ultima luta, exatamente 35 bombas, a maioria por dentro da coxa esquerda de Emerson, deixaram uma desagradável marca vermelha e tiraram o equilíbrio do adversário, forçando ele a se apoiar no chão em algumas ocasiões. Essas são as oportunidades que Rafael lamenta não ter se aproveitado.    

         

"Eu assisti a luta depois, e o Joe Rogan comentou sobre isso e eu percebi que poderia ter tirado proveito". Ele disse. "Esse foi o erro, porque eu estava chutando e me movendo para longe do alcance dele ao invés de ficar pronto para acertá-lo com uma combinação, derrubá-lo ou encaixar uma guilhotina. Nós aprendemos, e se isso ocorrer de novo contra o Bradley, eu estarei pronto para aproveitar.      

 

Acostumado a estudar os jogos de seus oponentes antes das lutas, Rafael se viu com problemas para encontrar alguma coisa de Bradley. Como as lutas que ele pôde adquirir foram vídeos do UFC, Rafael não tem muito que detalhar, já que está incerto do real jogo do adversário. 

     

"Descrever isso é engraçado, desde minha segunda luta o acesso aos DVD dos meus adversários se reduziu". Ele disse sorrindo. "Se contra o Tyson Griffin eu enfrentei um cara com sete lutas no UFC, com apenas uma vitória no primeiro round, contra o Rob Emerson eu tive menos o que estudar e agora, contra o Bradley, isso está pior. Ele lutou dois rounds no UFC em uma luta preliminar contra o Dan Lauzon e as outras foram rápidos nocautes a favor e contra ele (contra Chris Lytle e Phillip Nover). Ainda assim eu pude observar que ele tem um bom boxe com boa movimentação e um razoável defesa de quedas". 

     

É nesse momento que o aluno de Roberto 'Gordo' Correa olha para o que ele passou nas três primeiras lutas - derrotas e vitória - e trás a experiência para o momento atual. 

 

"O importante para esta quarta luta não é ter o jogo do Bradley decorado na minha mente; o importante é o que as três primeiras lutas que fiz no UFC fizeram comigo", ele disse. "Elas forjaram minha experiência no octógono, eu me sinto confortável em pé e no chão, mas eu nunca vou esquecer minhas raízes que são o jiu-jitsu. Esta é uma luta que eu não quero que vá para a decisão; eu que finalizar ou nocautear - eu quero terminá-la". 

 

E nós todos sabemos que ele é capaz disso.