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Paulo Thiago: Nada a provar, muito a aperfeiçoar

Por Martins Denis

Paulo Thiago gosta de dizer que em cada uma de suas lutas, um novo lutador brasiliense surge. E essas não são apenas palavras; é uma necessidade quando você vem competindo em níveis cada vez mais altos desde seu primeiro passo dentro do octógono.

Então se uma nova versão de Paulo Thiago foi apresentada contra o Jacob Volkmann no UFC 106, para a próxima luta contra Mike "Quick" Swick no sábado na edição 109, não espere o mesmo lutador, não espere pelo mesmo jogo apresentado nas suas três lutas anteriores no UFC. O brasileiro de 29 anos de idade quer mostrar suas habilidades de desenvolvimento, bem como novas jogadas para seu novo adversário.

"Além do treino específico para cada luta e oponente, existe um processo natural de evolução. Eu estou tentando manter as coisas indo na direção certa", ele disse. "Ao enfrentar o Swick, eu não sou o mesmo lutador que derrotou o Volkmann e isso é o que tenho na minha mente: humildade e determinação para aprender com meus erros e, dito isso, evitar a repetição deles".

Falar sobre erros quer dizer que, mesmo ele tendo derrotado Volkmann por decisão unânime, alguns pontos daquela luta poderiam ser diferentes se eles se enfrentassem novamente. Melhor em pé, Paulo Thiago estranhamente optava por lutar no chão, enquanto todos esperavam que ele batesse seu adversário, que estreava no octógono, com socos. Se a variação da luta em pé para o chão não ficou clara na ocasião, o confiante Paulo Thiago diz que isso tem muito mais relação com um objetivo do que com uma escolha ruim.

"Cada luta tem sua peculiaridade; você não se lembra da polêmica entre Anderson Silva e Thales Leites?", ele pergunta. "Muitas vezes só aqueles que estão dentro da luta podem falar o que aconteceu em relação a maneira com que foi ou que deveria ser. Eu não temi a derrota em nenhum momento daquela luta, então em razão da minha estratégia e escolha, eu tentei uma finalização porque eu queria conquistar o prêmio de finalização da noite, uma vez que o nocaute da noite é um prêmio muito concorrido".

Por não correr atrás do que - talvez - poderia lhe render seu segundo prêmio de nocaute da noite na carreira, ele nocauteou Josh Koscheck no UFC 95, Paulo ouviu críticas. Um jogo confuso, falta de confiança em seus punhos, hesitação e tentativas de garantir uma vitória sem riscos foram alguns dos comentários. Mostrando respeito por Volkmann antes da luta, ele mantém a posição depois da mesma.

"Todo mundo que entra no octógono tem seu valor e merece estar lá; meu adversário era duro e valorizou minha vitória de todas as maneiras. Talvez o chão dele mostrou-se um pouco melhor do que eu esperava, mas não posso dizer que foi uma surpresa. Eu estava confortável na luta".

Já para os críticos, Paulo sabe que se um atleta de elite se preocupar muito com isso, ele pode perder a visão de seus objetivos.

"Não existe lugar na minha mente para pensar nas críticas. Eu não estaria concentrado o bastante se eu me preocupasse em calar a boca dos críticos. Acho que minha preocupação seria enorme se todas as opiniões fossem positivas e unânimes. Então eu só mantenho na minha cabeça que eu preciso evoluir constantemente, por isso, na próxima luta, meu jogo fica mais difícil de ser estudado pelo meu oponente".

Dez dias depois da vitória por decisão unânime sobre Volkmann no dia 21 de novembro, Paulo já estava de volta aos treinos, um feito impressionante para um cara que vinha de uma batalha de três rounds. Enquanto nessas horas muitos lutadores ainda estão se recuperando de ferimentos ou simplesmente dando um descanso para o corpo, o oficial do BOPE de Brasília tem a incrível capacidade de recuperação e a aptidão de simplesmente não se machucar treinando ou competindo. Esse poder é parecido com o sistema do herói dos quadrinhos Wolverine, que é capaz de uma rápida recuperação. Mas não é bem essa dádiva como Paulo explica.

"Provavelmente a questão genética é uma influência. Eu me sinto fisicamente privilegiado e procuro equilibrar minha preparação", ele diz. "Com esse ritmo eu evito virar o fio e obtenho um bom resultado. Tudo tem haver com o nível de profissionalismo que você tem - minha dieta está melhor, o fortalecimento das minhas articulações, dos meus ligamentos e tendões tem uma imunidade alta, assim como meus treinos estão duros. O corpo fala, se você aprende a ouvi-lo e respeita isso, uma boa resposta é garantida".

Mas a comparação com o personagem da Marvel Comics ainda permanece quando o olhamos para o aumento das capacidades físicas. Se para o Logan, isso nasceu com ele; para Paulo, isso está ficando gradativamente melhor.

"O processo de evolução é dinâmico e nunca para. A preparação física desenvolvida pelo Luis "Lula" Guerreiro não é direcionada apenas para o esporte em geral, mas no que é preciso para se enfrentar um determinado adversário".

Dividindo sua preparação mais uma vez entre Brasília (Constrictor Team) e Rio de Janeiro (X-Strike e Nova União), Paulo teve a chance de treinar com o rei do peso médio no UFC, Anderson Silva. O homem que tem o cinturão até 84kg na cintura foi visto por Paulo como uma enciclopédia de recursos no MMA, e ele não perdeu tempo em agregar novas artimanhas ao seu jogo.

"Ter a oportunidade de treinar com o Anderson foi um privilégio para mim. Na última edição da Revista do UFC ele foi considerado o melhor lutador de MMA de todos os tempos. Ele realmente acrescentou muito ao meu aprendizado e eu fiz alguns ajustes no meu jogo e no meu treinamento em Brasília".

Preparado para enfrentar pela terceira vez um membro da American Kickboxing Academy em Swick, Paulo não acha que isso ajuda, já que Koscheck e Jon Fitch têm estilos diferentes do lutador apelidado de 'Quick' (rápido). Porém ele vai tentar unir as experiências anteriores e suas observações sobre Swick para elaborar um planejamento bem sucedido.

"Ele é completo como seus parceiros de treinos", Thiago disse. "Ele tem uma boa envergadura, bom gás e jogo de chão e é agressivo. Eu quero transformar isso em vantagem para mim. Eu não posso me basear nas lutas que tive com seus parceiros de treinos, ele também não pode fazer isso. Se ele fizer, ele terá uma surpresa. Eu prefiro tentar me colocar no lugar do meu oponente, 'O que eu faria se eu fosse ele?' Desse jeito eu posso anular sua tática. MMA é um jogo complexo".

Figurando na maioria dos rankings até 77kg do mundo, o brasiliense tem muito a ganhar na luta desse fim de semana. Mas tudo que importa para ele é manter o jogo e o treinamento evoluindo. E se ele fizer isso, vai colher frutos do árduo trabalho.

"A luta vai ter uma ação frenética e devido a isso acho que o gás será muito importante. Eu acho que iremos clinchar muito e eventualmente uma queda dele será inevitável. A partir daí eu vou explorar meu jogo de chão", Paulo disse. "Então o que preciso fazer é manter meu foco cada vez mais no treinamento e não pensar sobre rankings".