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Mike Swick - A uma vitória da disputa

Poucas semanas depois que ele ganhou sua quinta luta consecutiva no UFC contra o ex-desafiante peso-médio David Loiseau na edição 63 do dia 23 de setembro de 2006, Swick estava sentado na sala de imprensa do Mandalay Bay Events Center em Las Vegas no UFC 64 falando para quem quisesse ouvir que ele queria uma chance pelo cinturão contra o homem que havia sido coroado naquela noite, Anderson "The Spider" Silva.  

 

Essa não era uma atitude vista em outros lutadores da categoria, especialmente depois do massacre que Anderson impôs sobre Rich Franklin no primeiro round, mas Swick estava confiante, faminto e pronto para desafiar o "The Spider". Anderson teve no início de 2007 uma luta contra o vencedor do Ultimate Fighter 4, mas depois disso, seria natural que Swick fosse o próximo da fila, principalmente pelo adversário a sua frente, Yushin Okami, no UFC 69.  

 

Mas esses planos foram por água abaixo quando ele amargou uma derrota por decisão para Okami em abril de 2007, e agora, mais de dois anos depois, Swick está finalmente às voltas com a mesma situação - só que desta vez entre os meio médios. E ele sabe que não pode deixar a chance escapar novamente.  

 

"Você viu como eu estava animado com aquela oportunidade e então isso foi tirado de mim, e agora o caminho tem sido longo na tentativa de desafiar o campeão de novo, o que sinto isso de forma mais poderosa agora", Swick disse. "É muito mais motivador".  

 

Em seu caminho, neste momento, está o astro britânico Dan "The Out Law" Hardy, um lutador que vai ter uma nação por trás quando entrar no Octagon, dia 14 de novembro em Manchester, Inglaterra, no MEN Arena. Swick, que lutou na Europa contra Marcus Davis e Ben Saunders, não se importa em ser o lutador mau nesta história.  

 

"Você nunca sabe como um lutador vai reagir com o público aplaudindo ou vaiando, mas eu não acho que a torcida vai dar super-poderes a ele", ele sorri. "Ele vai ser o mesmo lutador. Ele pode até estar um pouco melhor mentalmente e um pouco mais motivado quando vier para a luta, mas é o que eu quero. Eu quero que ele esteja motivado e eu quero lutar contra o que ele tiver de melhor. Eu posso até chorar se me vaiarem, mas antes que a luta comece eu já vou ter me recuperado”.  

 

Swick ri, e esta é a confiança de um homem que está bem preparado para a luta de sua carreira e que finalmente se descobriu em sua nova categoria de peso. Mas nem sempre foi assim, quando, em suas duas primeiras lutas até 77 quilos, ele venceu Josh Burkman por decisão majoritária e foi menos brilhante ao bater Davis por decisão.  

 

"O problema não era o peso, na real havia outras coisas", Swick disse. "Mas eu me sinto muito bem nesse peso, eu definitivamente pertenço a essa classe".  

 

Então nas lutas seguintes, Swick finalmente parecia estar ambientado na divisão e voltou a apresentar uma combinação de velocidade e precisão impressionantes. Combinação essa que tinha sido sua marca registrada no UFC, em 2005-2006. Assim ele arrasou Jonathan Goulet em 33 segundos em dezembro do ano passado, e em seguida deu fim a Saunders no segundo round de sua luta no UFC 99 em junho. A luta contra Saunders foi particularmente especial pela forma como ele desmantelou o habilidoso lutador da Flórida. Um ataque inicial seguido de uma brutal finalização colocou seu adversário em apuros. E com a considerável vantagem em pé dada a Saunders e seu impressionante desempenho antes do UFC 99, quando ele arrasou Brandon Wolff, a maneira com que Swick acabou com ele surpreendeu algumas pessoas.  

 

"Estou um pouco surpreso com quantas pessoas estão surpresas", Swick disse. "Estávamos confiantes quando fomos lutar. Sentimos que podíamos vencê-lo, mas acho que não o vi da mesma forma que todos os outros viram. E, falando das minhas últimas lutas, acho que é essa foi a que surpreendeu a maioria das pessoas. Isso é o que eu quero continuar fazendo até ter minha chance de disputar o cinturão”.  

 

Agora, ele enfrenta um adversário semelhantes em Hardy, que, como Saunders, vem de uma caminhada positiva na categoria, especialmente o nocaute de 69 segundos sob Rory Markham em fevereiro e o triunfo de junho contra Davis. Será que é muito cedo para o "The Outlaw"? Se for, Swick certamente está ansioso para descobrir, mas ele não está vendo o produto de Nottingham como um trampolim. Na verdade, muito pelo contrário.  

 

"A coisa mais emocionante sobre esta luta não é só sobre ele ser um bom adversário - ele é um striker muito técnico - é astuto", Swick disse sobre Hardy. "Ele traz isso para a luta, mentalmente, ele está lá, o que é sempre um bom sinal. Outra coisa que é interessante é que ele tem aquela atitude de tudo ou nada. Ele tem muito a ganhar neste combate e pouco a perder por causa da posição que ele está e eu sei que vou lutar contra um Hardy mais agressivo e mais faminto. Ele virá para cima de mim com tudo que tem e é isso que vai me desafiar. A diferença entre Dan Hardy e eu, e onde nós estamos rankeados, não importa. O vencedor desta luta enfrentará GSP (Georges St-Pierre), por isso é uma grande recompensa para qualquer um de nós e definitivamente temos muito a ganhar”.  

 

O respeito aparece nos dois lados, já que Hardy não atacou verbalmente Swick como ele tinha feito contra Davis antes do UFC 99. Hardy x Davis foi uma guerra mental em sua melhor forma, mesmo assim Swick deixou claro, logo que a luta foi anunciada que ele não estava prestes a cair em truques projetados para desestabilizar ele. Chame isso, então, de um tiro de advertência ou simplesmente de pura experiência, uma vez que Swick já andou por esse caminho antes.  

 

"É 50 por cento tentando entrar na minha cabeça e 50 por cento tentando aumentar a confiança deles, mas de qualquer forma, eu sempre escuto isso antes de cada luta", Swick disse sobre a ginástica mental antes das lutas. "Eu não consigo me lembrar de uma luta sequer que eu tive onde meu adversário não dizia como ele iria me bater e fazer isto ou aquilo. Eu acho que é meio normal, mas às vezes o modo com que eles dizem acaba me subestimando. É legal, e isso não me incomoda, porque toda a confiança que tem vir de algum lugar. E se ao entrar no ringue comigo, não funcionar do jeito que esperava, toda a confiança se transforma em pânico. Tenho visto isso inúmeras vezes e é isso que eu gosto. Eu gosto de ver essa confiança se transformar em pânico e em seguida assegurar minha vitória. Quanto mais confiante alguém entrar em uma luta comigo, melhor para mim e minha estratégia. Um adversário confiante está renegado ao pânico total se as coisas não funcionarem do jeito que ele espera".  

 

Das dez lutas que fez no UFC, Swick, de 30 anos de idade, teve sua mão levantada em nove, então ele deve ter todo esse burburinho antes das lutas sob controle, sendo assim você pode até imaginar que os adversários olhem o recorde dele e se intimidem um pouco, certo?  

 

"Eu acho que isso nunca vai acontecer", disse ele, "acho que sou muito magro. (Risos) As pessoas só olham para mim e dizem 'ah, eu vou matar esse cara.' "Nas conferências de imprensa eu não espero que as pessoas digam 'bem, Mike vai me bater, mas darei tudo de mim.' "Mas nem sempre tive adversários só super confiantes, mas também um pouco desrespeitosos quando o respeito era necessário. Eles tiveram que aprender no centro do Octagon que eu era, obviamente, melhor do que eles esperavam que eu fosse."  

 

Swick acredita que Hardy está no mesmo ponto de enfoque para a luta; e não preocupado em ser manchete de jornais ou na internet.  

 

"Eu acho que Hardy sabe disso", Swick disse. "Em algumas de suas entrevistas recentes, ele afirmou que sabe que não vai entrar na minha cabeça. Ele sabe que isso não vai me afetar, me deixar inseguro ou desestruturar meu jogo quando nos enfrentarmos. O fundamental é que, no final do dia, nós vamos entrar no Octagon e nós vamos lutar. Não há nada que se possa fazer para mudar isso. Eu não vou ser o mais louco, irritado ou agressivo com ele, se ele é bom ou se ele é mau. Quando eu chegar lá, serei uma pessoa completamente diferente do que ele espera e isso não vai mudar."  

 

No entanto, na eminência de conseguir uma luta pelo título pela segunda vez em sua carreira, Swick quer mudar uma coisa, o resultado final. E nem precisa ser dito que ele não planeja deixar a chance escapar.  

 

"Eu tinha que chegar até aquele ponto e perdê-lo e recuperar tudo de novo, por isso é muito mais emocionante", ele disse. "Vou fazer tudo que posso para ter certeza que serei o desafiante e então faturar esse cinturão”.