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Mario Miranda - Se preparando para um começo tardio no MMA

Por Martins Denis    

  

O crescimento do UFC tem possibilitado a sua chegada em lugares do mundo nunca antes alcançados, assim como tem conquistado pessoas que nunca haviam prestado atenção ao esporte. Em outras palavras, grandes mudanças colocaram a MMA entre os que mais crescem nos últimos anos.    

  

E não importa se você vem seguindo o UFC desde as suas origens ou se só o descobriu assistindo ao The Ultimate Fighter - de qualquer forma você viu atletas e lutas melhorando cada vez mais. E hoje, atletas de todo o mundo sonham em lutar dentro do octógono.     

  

Dito isto, aqui no Brasil temos dois tipos de lutadores talentosos: aqueles que estabeleceram sua carreira antes do UFC - dentro ou fora da terra natal - e entraram no UFC como estrelas; e um segundo grupo que nunca teve sucesso no seu país e que os fãs não fazem a menor ideia de quem seja até ver seu nome em um card do UFC. Mário Miranda, o novato do peso médio que encara Gerald 'Hurricane' Harris na luta preliminar do UFC Fight Night, nesta quarta-feira, se encaixa perfeitamente nesse segundo grupo.    

  

O brasileiro nunca lutou e nem treinou MMA no Brasil, mas ainda assim é um dos maiores competidores de luta no país. Campeão Sul-Americano em La Paz, Bolívia em 1999 e várias vezes campeão Brasileiro, Mario nunca teve o desejo de praticar MMA, mesmo tendo treinado na Radar Gym, lugar de treino de antigos lutadores do UFC como Marco Ruas, Pedro Rizzo, Rodrigo Ruas, Renato Sobral e Alexandre 'Baixinho' Barros, assim como os talentosos veteranos Gustavo 'Ximu' Machado, Aloísio Barros, Antoine Jaoude e Alexandre 'Cacareco' Ferreira.    

  

O grande sonho de Miranda era ser um atleta olímpico, mas isso terminou quando o lutador perdeu nas seletivas para os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000. A derrota e toda a politicagem que prejudicava a Confederação Brasileira de Wrestling naquele período foram suficientes para ele. Miranda abandonou o esporte e mudou para os EUA, em busca de um novo começo.    

  

"Eu me mudei para arrumar qualquer tipo de trabalho, pois já estava frustrado com a minha carreira de Wrestling. Eu fiz um pouco de tudo: entregador de pizza,construção civil, padeiro, entre outros. Nos últimos anos pude trabalhar para pagar minhas contas, mas com tempo para treinar. Desde novembro, sou um lutador em 100% do tempo".   

  

Mas demorou um tempo até que Miranda se tornasse esse lutador de MMA. Ele primeiro morou em Boston e a luta não estava em seus planos. Mas Mario - um atleta com o espírito no Jiu-Jitsu desde os seus cinco anos e no Wrestling desde os 14 - acordou quando se mudou para Seattle e acabou em uma academia de um ex-aluno do treinador de MMA Matt Hume, Charlie Pearson. Hume, treinador de AMC, sabia que Miranda estava no lugar errado quando resolveu não por em prática suas habilidades de lutador de Wrestling e Jiu-Jitsu em competições de MMA.    

  

"Pearson me mandou na academia do Hume, porque ele viu meu potencial e sabia que se eu treinasse com os melhores, faria sucesso. O problema foi a minha família; eles não gostavam da ideia, pois eu era tão focado em Wrestling quando vivia no Brasil e naquela época era desencorajado a treinar MMA".    

  

Mas nem a família foi capaz de parar esse niteroiense, que calmamente foi desenvolvendo o seu jogo no MMA e se adequando às categorias corretas. A vontade de recuperar o tempo perdido colocou Mário contra adversários no pesado e no meio pesado e o fez conquistar um cinturão no SportFight.    

Nomes como Joe Vedepo e Rick Story foram vítimas de Mario e alguns acreditam que essas foram as suas vitórias mais importantes, mas o próprio lutador credita esse título a outra luta.    

  

"Eu sei que tive lutas duras contra adversários conhecidos (Vedepo e Story), mas eu acredito que nossa primeira luta é importante, principalmente quando você encara um ídolo local (Taurus Cabbab) na frente de 2.000 fãs fervorosos gritando o nome dele em Kauai, no Hawaii. Essa estreia no profissional foi muito importante para mim porque o público estava lá para ver a vitória dele e eu pus água no chopp".     

    

Depois dessas grandes experiências, Mario se estabeleceu como um peso médio e conquistou um recorde de 11-0 em cinco anos de treinamento no MMA. Mas o UFC não é a grande competição à toa, e manter um zero na coluna das derrotas é quase impossível nesse nível de competição, o que pode pressionar um novato.    

  

"Eu só sinto a pressão psicológica que coloco em mim mesmo, mas é claro que eu gostaria de estender essa invencibilidade pelo tempo que puder".    

  

Ao encarar o veterano do TUF 7 Harris, um lutador que conquistou um Nocaute da Noite sobre John Salter em janeiro, Mário sabe que enfrentará uma guerra e alerta aos fãs para não esperarem por dois wrestlers tentando derrubar um ao outro. Mário irá usar seu passado no Wrestling, mas garante não temer uma luta no chão, pois usará sua experiência como faixa preta de Jiu-Jitsu.    

  

"Eu sou um wrestler, mas me considero um lutador completo que sabe ajustar seu jogo de acordo com a situação. Eu conheço muitos ídolos desse esporte e a experiência de Harris no octógono não será um problema para mim, o que para muito é novidade, para mim é rotina".    

  

Desconhecido para os fãs brasileiros, Miranda ainda espera fazer a população do seu país natal - e do que o adotou - feliz e orgulhosa nesta quarta-feira.    

  

"Eu moro nos EUA há quase 10 anos, mas sou 100% brasileiro. Talvez eu tenha uma visão diferente da dos outros brasileiros, pois estou em uma cultura diferente e é impossível não absorver isso aqui. Mas eu agradeço americanos e brasileiros pelo apoio".