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Gabriel Gonzaga - Energizado por outra corrida pelo título

Por Martins Denis

Segundos antes da luta mais recente de Gabriel "Napão" Gonzaga, contra Chris "The Crowbar" Tuchscherer, em agosto de 2009, no UFC 102, o comentarista Mike Goldberg fez a pergunta que todos queriam saber antes dos dois iniciarem o confronto.

"Qual Gonzaga veremos esta noite? Veremos o que derrotou Mirko Cro Cop, o que machucou o braço de Randy Couture, o que passou por cima de Josh Hendricks, ou o que perdeu para (Fabrício) Werdum e Shane Carwin?"

A pergunta era válida tratando-se a carreira de altos e baixos que Napão tem tido desde a sua primeira luta no octógono em 2005, uma carreira que deixou os fãs imaginando como ele vai reagir ou como cada luta irá se desenrolar.

No entanto, essa inconstância do brasileiro, que irá encarar o compatriota Junior "Cigano" dos Santos nesse domingo, no Colorado, não tem absolutamente nada a ver com falta de habilidade. Napão nocauteou ou finalizou em sete dos seus 10 triunfos no UFC e nunca foi até o final nas suas 15 lutas como profissional. O cara tem muito poder, é agressivo e coloca todos os seus esforços em prol de um objetivo específico: finalizar o cara que está no lado oposto.

"Essa é realmente a minha característica", ele diz. "Eu gosto de lutar para vencer por nocaute e finalização. Obviamente, esse tipo de jogo abre espaço para uma derrota, mas se você evita amarra luta, diminui as chances de uma grande vitória".

Como Napão disse, quando você tem esse estilo, as chances são 50-50 ou para uma vitória gloriosa ou para uma derrota espetacular. Ele também sabe que muitas perguntas surgiram depois da sua luta contra Carwin no UFC 96, onde ele acertou três direitas seguidas, mas optou por um clinch e levar o adversário ao chão ao invés de continuar com os ataques. O resultado? Carwin ficou de pé e nocauteou Gonzaga aos 1:09 do primeiro round.

"Eu não teria feito nada diferente. Em toda luta existe um momento em que você precisa tomar uma decisão instantânea - esquerda ou direita, errado ou certo. Eu já tive exemplos disso várias vezes. Quando encarei Couture, eu o deixei desnorteado com um chute e fui em frente com um soco, mas ele percebeu e clinchou. Se eu tivesse ido para derrubá-lo, poderia ter sido mais uma chance de vitória para mim. Foi um erro ter ido para o soco? Não, foi apenas uma de várias opções. Contra Carwin, eu o deixei zonzo e o derrubei, ele tentou ficar de pé e eu optei por não manter a luta no chão, pois estava mandando bem em pé. O que aconteceu foi que ele foi melhor e encerrou a luta, mas foi errado? Eu também não acho - meu soco poderia ter sido melhor, então eu não estou dizendo que fiz algo errado, apenas Carwin executou melhor do que eu".

Com uma terceira derrota no UFC nos seus ombros e a pressão de não repetir o período do final de 2007 e início de 2008, quando perdeu para Couture e Werdum em sequência, Gonzaga encarou Tuchscherer em agosto do ano passado e não desapontou. Apesar da pressão para vencer, ele manteve a sua atitude de 'agora ou nunca' e derrotou o nativo de North Dakota, mostrando que ele não se deixaria influenciar por um resultado negativo.

"A pressão sempre existe e não existe fórmula especial. Um dia você vence, no outro você perde - ninguém é invencível. Com o tempo você consegue controlar melhor essas emoções. Eu tive uma bela preparação para a luta e fiz o que nós treinamos".

Qualquer pessoa que tenha assistido a luta vai se recordar daquele chute baixo não intencional que derrubou Tuschscherer de início. Napão sabe que a falta acidental afetou seu oponente, mas que ele nunca quis acertá-lo daquela forma. Mas, assim que Tuchscherer disse que estava bem para reiniciar a luta, Napão foi em busca da finalização. Seu conhecido chute alto encontrou o nariz do seu adversário e esse foi o começo do fim para "The Crowbar".

"Eu entrei na luta com muita vontade de vencer por finalização ou nocaute; isso está sempre no meu sangue. Quando uma luta minha terminar por decisão, pode ter certeza que não aconteceu porque eu quis. Nós somos profissionais e estamos sendo pagos para fazer grandes lutas, e isso é o que eu tento fazer quando entro no octógono".

Fora de combate por sete meses devido a uma bursite no cotovelo, Napão não pôde encarar Cigano no seu confronto inicial, marcado para o UFC 108 em janeiro. Ele ainda tentou fazer um esforço extra para se curar a três semanas antes da luta, mas nesse nível de competição, entrar no octógono sem estar 100% não é uma boa decisão e a luta foi adiada para o UFC Live: Vera vs. Jones nesse final de semana.

Com mais tempo para se preparar, Gonzaga aumentou o ritmo nos treinos na sede do Team Link em Ludlow, MA, para parar a estrela em ascensão, Junior dos Santos. E enquanto as pessoas podem imaginar que grandes lutadores já têm seus jogos definidos e que mudanças e melhorias não são viáveis, ele garante que o progresso ainda faz parte da sua rotina.

"Nós temos sempre que buscar melhorar em todo tipo de trabalho e no meu não é diferente. Procuro melhorar na condição física, no Jiu-jitsu, Boxe, Wrestling, Muay Thai e tudo o que puder aumentar meu desempenho e contribuir para a minha vitória. São detalhes que adicionamos ao jogo, dia após dia, e que podem fazer grande diferença na hora da luta. Eu aprendo com meus alunos, meus amigos e meus treinadores. Marco Alvan (treinador do Team Link) uma vez me disse 'não existe ninguém tão inteligente que não precise aprender nada e ninguém tão estúpido que não tenha nada a ensinar', então estamos sempre em constante evolução".

Essa é uma bela análise de Alvan, o treinador de Napão, que - apesar de todos os comentários sobre a luta do seu púpilo contra Cigano - diz que tem a análise real do confronto.

"Escolher Cigano como favorito é coisa de fã ou de quem não segue o esporte", disse Alvan. "Gonzaga é um melhor atleta no conjunto. Quem irá vencer? Somente dentro do octógono nós saberemos. Para o Napão, duvidarem dele é apenas uma motivação a mais para ele mostrar o seu melhor. Nós estamos treinando nas montanhas de Utah e ele vai para nocautear o Cigano".

Com tudo isso dito, ainda há a motivação principal de Napão, e ele sabe que derrotar Cigano significa chegar perto do que ele já teve uma vez. A chance do título. Se a jornada já foi incrível até aquele dia em 2007 contra Couture, repeti-la é a grande motivação ele.

"Minha vitória seria o movimento ideal em busca do que quero, a chance do título. Chegar perto disso me deixa muito feliz. Eu treino desde 2001 e não tenho medo de trocar golpes com ninguém nesse planeta. Apesar de ter muito mais experiência no chão, eu não o subestimo. Cara, vamos lutar e ver quem bate mais forte e garante as melhores finalizações".