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Frank Mir - A saga continua

Por Thomas Gerbasi  

  

Nos quase dez anos de carreira de Frank Mir, apenas uma coisa se manteve: ela nunca foi monótona.  

  

Seja vencendo Tank Abbott e Tim Sylvia, perdendo para Ian Freeman e Marcio 'Pé de Pano' Cruz, conquistando o cinturão dos pesos pesados do UFC duas vezes, ou lidando com as conseqüências de um acidente horrível de moto, esse nativo de Las Vegas vem escrevendo uma história na vida que até Hollywood acharia inacreditável.  

  

Mas o que torna a sua jornada ainda mais incrível é que, aos 30 anos de idade, ele ainda está no auge, prestes a fazer história ao encarar Shane Carwin pelo título interino dos pesos pesados do UFC, sábado, no Prudential Center, em Newark, New Jersey. Uma vitória o coloca ao lado de Randy Couture como os únicos dois lutadores na história do UFC a vencer o título da categoria três vezes. Mais do que isso, irá iniciar uma disputa com Brock Lesnar para o cinturão, algo que, nesse momento, Mir se recusa a pensar.  

  

"O jeito de se manter focado é lembrar que eu estou lutando contra Shane Carwin, independente de ser pelo título interino, independente de ser uma oportunidade de lutar pelo título real e uma revanche contra Brock Lesnar", garante Mir. "Esses são apenas fatores externos que chamam a atenção, não os principais. O que importa é que Shane Carwin está no meu caminho e eu preciso lutar contra ele e me testar contra ele".  

  

Dizem que a luta mais importante na carreira de um atleta é sempre a próxima, pois sem uma vitória nela todos os planos futuros são deixados de lado. Mir já esteve dos dois lados dessa história. E esse é um daqueles momentos em que ele precisa estar 100% focado no que acontecerá sábado à noite, já que uma derrota para Carwin tira as suas chances de colocar as mãos em Lesnar novamente.  

  

Mas Lesnar ainda é a sombra sobre a luta pelo título interino. Ele estará presente no sábado em New Jersey, e, caso Mir vença, é provável que os dois troquem algumas palavras. Por enquanto, Mir está dizendo as coisas certas e, mal ou bem, ele deve isso à derrota para Lesnar no UFC 100, em julho do ano passado. Foi depois daquela luta que Mir percebeu que ele precisava ficar mais forte para competir no mesmo nível de atletas como Lesnar e Carwin. Foi um passo arriscado, mas como mostrou na luta contra Cheick Kongo no UFC 107 em dezembro de 2009, ele estava confiante dele.  

  

"Não que o dia 12 de dezembro tenha sido a primeira vez que lutei com aquele peso", disse Mir. "Eu já estava com esse peso por quase dois meses, então tive a oportunidade de treinar e saber como me sentiria com esse novo peso".  

  

Os fãs não sabiam disso, mas 72 segundos depois eles tiveram a resposta quando Mir derrubou Kongo com uma esquerda e depois encerrou a luta com uma guilhotina que colocou o adversário para dormir. Velocidade, força, tamanho e técnica. Com todos esses itens, Mir parecia estar em forma para conquistar o título.  

  

"Todos temos a nossa opinião e noções pré-concebidas sobre como algo deve funcionar de acordo com o sucesso do passado ou através de outras pessoas. Mas quando você entra nisso e falha, você deve ser inteligente o suficiente para sentar lá e dizer 'por que eu falhei?' Eu percebi que o tamanho do Brock deu a ele uma vantagem que anulava boa parte da minha técnica. E não há nada de vergonhoso nisso. Você tem que parar e pensar no motivo pelo qual essa estratégia não está funcionando".  

  

E é por isso que ele não chama a vitória de Lesnar de acaso e considera Carwin uma séria ameaça - apesar de sua relativa inexperiência - por conta do seu porte atlético, dois aspectos do jogo de Lesnar que deram trabalho a Mir. Agora cabe a ele encontrar a forma de derrotar o nativo do Colorado. Uma coisa é certa: não existe entre Mir e Carwin a animosidade que existe com Lesnar. Na verdade, Mir possui respeito por Carwin tanto dentro, quanto fora do octógono.  

  

"Ele possui um ótimo jogo para um peso pesado e já mostrou uma excelente aptidão para passar a guarda. Pelo que eu já tive a oportunidade de ver, ele é um grande atleta de MMA. Além disso, ele é um cara inteligente, que conseguiu administrar a vida familiar, um emprego e o treinamento".  

  

Pensando na quantidade de socos que Carwin distribuiu nas vitórias sobre Gabriel 'Napão' Gonzaga, Neil Wain e Christian Wellisch em suas três lutas pelo UFC, Mir talvez tenha que encarar um pesadelo cheio de estilo. Mas junto do seu grande jogo de Jiu-jitsu, Mir também tem estado bastante ativo, lutando duas vezes desde a última luta de Carwin contra Gonzaga em março do ano passado.  

  

"Eu não acho que seja nenhum segredo que isso tenha me dado algum tipo de vantagem. Eu acho que todos os atletas, em qualquer esporte que seja, querem se manter ativos. Quando você não está, é muito difícil mentalmente lidar com a luta. Eu não acho que isso vá a ser um obstáculo gigante para Shane Carwin, mas eu acho que, ao mesmo tempo, eu saio na frente por estar mais ativo do que ele".  

  

Carwin também entra na luta sem nunca ter passado dos 2:11 nos 11 embates na sua carreira no MMA - e isso aconteceu na sua primeira luta. Desde aquela noite contra Carlton Jones em 2005, o máximo de tempo que Carwin teve de luta foi 1:41. Mir não é nenhuma máquina cardíaca, mas ele já disputou três rounds e por quatro vezes chegou ao segundo round.   

  

"Eu não quero chegar lá e hesitar", disse Mir, que já viu 12 das suas 17 lutas acabarem no primeiro round. "Claro que eu sei que é algo a meu favor se a luta durar um pouco mais, mas eu não sou esse tipo de lutador. Eu acho que se fosse desse estilo, hesitasse e tentasse fazer a luta durar, eu apenas daria a ele mais chances de me pegar num erro. Logo, não vou me preocupar com a duração da luta".  

  

Parece que Frank Mir está pronto para adicionar um novo capítulo à sua carreira, que logo entrará nos anais da história do MMA. E como esse livro terminará? Nem ele sabe, mas talvez já tenha uma idéia de título - Nunca Desista.  

  

"Eu acho que minha carreira tem sido bastante interessante, com alguns momentos muito bons e outros bem ruins, e não houve um caminho consistente para nenhum dos lados", ele sorri. "O motivo pelo qual a minha vida é diferente da de alguém na mesma situação é porque eu nunca parei de tentar ir em frente. Não é que eu tenha algo diferente das outras pessoas, pois acredito que todos nós temos nossas forças e fraquezas e eu não sou sobre-humano. Mas eu simplesmente não desisto. Eu procuro um jeito de dar certo, independente de dar ou não. Não é uma garantia de sucesso, mas o único jeito de garantir o fracasso é desistindo".