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A desmistificação do lutador do UFC

Os times estão formados e já sabemos um pouco dos concorrentes a ídolo. Agora é a vez dos próprios atletas escreverem suas histórias

A segunda edição do TUF Brasil estreou a todo vapor e aos poucos o público brasileiro conhece os novos candidatos a astros do UFC. Depois do primeiro episódio, no dia 17, no último domingo (24) foram apresentados todos os 14 participantes, separados em dois times, comandados pelos pesos pesados Minotauro Nogueira e Fabrício Werdum.

Toda a turma passou pela primeira eliminatória, que dá direito a ingressar na residência mais almejada entre os lutadores da América do Sul: a casa do TUF Brasil 2. Agora, os desafios serão ainda maiores, em confrontos eliminatórios que vão culminar com apenas dois finalistas. Quatorze feras do MMA nacional já deram adeus ao sonho, apenas um provará o gosto do triunfo. Os desafios vão muito além das lutas, desde os cortes de peso - os atletas combatem na categoria meio-médio, 77kg -, aos desafios impostos nos treinamentos, nas atividades diárias do programa e, claro, nas provocações que vão ter que aturar durante a convivência. Não é exagero dizer que, apesar do companheirismo natural entre os lutadores, o clima vai ser de guerra, afinal, o "inimigo" estará dormindo no quarto ao lado. Pior ainda, na cama ao lado, pois todos estão competindo. Mais que técnica, os futuros ídolos do MMA terão que possuir qualidades como frieza, autocontrole, concentração e superação. Para ser um campeão, vale lembrar, o chamado "espírito guerreiro" muitas vezes é o fator determinante. Só assim para ser campeão do TUF Brasil, só assim para ser campeão do UFC, só assim para ser um campeão na vida.

A primeira edição, em 2012, formou novos ídolos do esporte. Atletas como Cezar Mutante e Rony Jason (os campeões) ganharam destaque na mídia e popularidade. Mas o TUF Brasil significa bem mais que isso. O programa conta a história de pessoas como eu, como você. Pessoas que muitas vezes vieram do nada em busca simplesmente da chance de trabalhar com o que mais sabem fazer, de mostrar seu valor, de melhorar a condição de vida. É a desmistificação do lutador, a humanização de um personagem blindado pelo estigma que carregavam os antigos gladiadores. Talvez por isso personagens da primeira edição como Daniel Sarafian, Thiago Bodão e Francisco Massaranduba, entre outros, ganharam simpatia por todo o Brasil. O público teve a oportunidade de conhecer suas histórias e por conta delas se identificar. O lutador também ama, chora, sente dor, insegurança, medo... Sua maior qualidade é controlar todos esses sentimentos e focar as forças no objetivo maior: a vitória. E quem não quer vencer, seja numa competição, como o reality show, ou seja por conta das ambições que todos carregamos?

A nova temporada do TUF Brasil traz, novamente, uma mescla de lutadores com técnicas equivalentes e peculiares. Alguns deles já conhecidos pelo público que acompanha artes marciais, outros nem tanto, mas que possuem qualidade suficiente para surpreender. Vou tentar separá-los em alguns grupos para definir melhor o que teremos daqui para frente dentro do Octógono:
Leonardo Santos (11v-3d), Yan Cabral (10v) e Tiago Alves (3v) são atletas renomados nas grandes competições de jiu-jitsu, com inúmeros títulos usando o kimono. Leo Santos e Yan têm mais experiência no MMA que Tiago, inclusive com lutas internacionais, mas todos os três gostam de definir através das finalizações. Foi dessa forma que Yan e Tiago garantiram vaga na casa, enquanto Leo venceu por conta de uma contusão do oponente. Vale ressaltar que Yan e Leo são da mesma equipe, a Nova União, e estão em times adversários na casa. Aliás, para garantir vaga, Yan já teve que enfrentar um companheiro de treinos. Ou seja, os nervos estarão à flor da pele.

Luis Besouro (11v-2d-1e), Neilson Gomes (14v-2d), Pedro Iriê (9v-5d), Viscardi Andrade (13v-5d), Juliano Ninja (7v-3d),Thiago Marreta (8v-1d) e Claiton Foguete (12v-1d) são lutadores que ganharam notoriedade principalmente através dos eventos nacionais de MMA. Besouro, representante da luta livre, e Iriê, que busca sempre os nocautes, estão entre os atletas mais experientes. Besouro estreou em 2003 no MMA enquanto Pedro combateu pela primeira vez em 2005. Mas todos são rodados, com vitórias em organizações como Jungle Fight, Bitetti Combat, WOCS e Nitrix. Carregam o perfil do lutador moderno, que desde cedo buscou se especializar em diversos quesitos do MMA.

David da Silva (4v), Willian Patolino (6v) e Márcio Pedra (4v) talvez sejam os menos experientes da casa, mas com todas as chances de surpreender. Enfim, já passaram por uma eliminatória em que muitos ficaram para trás. Possuem histórias de vida distintas, mas carregam a mesma vontade de vitória e, o mais importante, lutam por amor ao que fazem.

Santiago Ponzinibbio (18v-1d) é um caso peculiar. Um argentino entre brasileiros. Se formos valer a tradicional rivalidade entre os dois países no futebol, Santiago está, literalmente, rodeado por "inimigos". No entanto, seu histórico de nocautes (10) e finalizações (6) o coloca entre os favoritos na casa. Imagina um argentino campeão do TUF Brasil 2? Sim, as chances são reais!

Os grupos estão definidos, com sete atletas cariocas, três paulistas, um baiano, um gaúcho, um catarinense e o ilustre argentino. Os gritos de guerra das equipes já ecoaram no ginásio. Nos próximos episódios, os capitães Minotauro e Werdum terão um duro trabalho pela frente. Não pisque!

Confira como estão os grupos e como cada atleta garantiu sua vaga na casa do TUF Brasil 2:
Time Minotauro
Santiago Ponzinibbio (ARG) venceu Thiago Silva Bel (PR) por TKO no R2
David Vieira (RJ) venceu Leandro Buscapé (SP) por decisão unânime
Leo Santos (RJ) venceu Luciano Contini (PR) por TKO no R1
Cleiton Foguete (RS) venceu Bruno Jacaré (SP) por decisão dividida
William Patolino (RJ) venceu Roberto Corvo (GO) por TKO no R1
Neílson Gomes (BA) venceu Felipe Olivieri (RJ) venceu por decisão dividida
Luis Besouro (RJ) venceu Robson Negão (SP) por decisão unânime

Time Werdum
Yan Cabral (RJ) venceu Rony Silva (BA) por finalização (mata-leão) no R1
Viscardi Andrade (SP) venceu Thiago Jambo (AL) por decisão majoritária
Juliano Ninja (SC) venceu Henrique Sucuri (ES) por finalização (mata-leão) no R3
Pedro Iriê (SP) venceu Wande Lopes (MS) por KO no R1
Márcio Pedra (RJ) venceu Daniel Gelo (RJ) por finalização (mata-leão) no R1
Thiago Marreta (RJ) venceu Gil Freitas (BA) por decisão dividida
Tiago Alves (SP) venceu Weguimar Big Big (PB) por finalização (kimura) no R2