Skip to main content

Consolidando heróis: Minotauro e Werdum

Os campeões, de personalidades distintas e técnicas afiadas, carregam experiência e qualidades para formar o novo astro do UFC.

Depois da primeira fase eliminatória, o terceiro episódio do TUF Brasil 2 veio explosivo, com muitas provocações entre os integrantes e os primeiros confrontos com as equipes definidas. Com vitória dos especialistas em jiu-jitsu Tiago Alves e Yan Cabral, o time comandado por Fabrício Werdum abriu 2 a 0 no placar. Pior para Cleiton Foguete e David Vieira, derrotados e vendo mais longe o sonho de brilhar pelo UFC. Pior também para o capitão Rodrigo Minotauro, pensante nas imagens exibidas, provavelmente em busca de uma solução que mude o cenário, um golpe certeiro que traga alento na disputa implacável.

Achar saída para as situações mais complicadas e jamais desistir são atributos que fizeram de Minotauro um dos maiores campeões de MMA em todos os tempos, um ídolo, um herói para os fãs. Uma pessoa capaz de sobreviver a um atropelamento por caminhão, a gigantes como Bob Sapp e erguer cinturões de organizações como UFC e Pride. Minotauro, herói, mitológico, consegue manter a calma nos piores momentos e encontrar o desfecho mágico. Apesar do duro trabalho pela frente, ele acredita na vitória.

Mas seu oponente, seja como capitão do reality show ou no desafio entre ambos programado para o dia 8 de junho, tem a estratégia entre as principais habilidades. A capacidade de ler os adversários e elaborar planos seguros, claro, aliada às qualidades técnicas, já garantiu a Werdum títulos mundiais de jiu-jitsu e do prestigiado ADCC, torneio que reúne os principais grapplers do planeta. Também proporciona vitórias que o credenciam entre os melhores pesos pesados, como a finalização sobre Fedor Emelianenko, que quebrou uma série de nove anos e 28 lutas sem perder do temido lutador russo.

Uma dupla de peso, não só pelo fato de lutarem entre os pesos pesados! No entanto, se o histórico de reconhecidas superações faz de Minotauro um mártir, o perfil provocador e brincalhão faz com que Werdum oscile na percepção do público, às vezes herói e em outras anti-herói. E não leve pelo ladoMiniotauro e Werdum no Pride 2006 pejorativo, no mundo das lutas o anti-herói é tão importante quanto o herói. Lembrando rapidamente, provocadores como Ken Shamrock, Tito Ortiz e Chael Sonnen estão entre os mais badalados na história do UFC da mesma forma que “bonzinhos” como Georges St-Pierre, Rich Franklin e Vitor Belfort, só para citar alguns.

Enfim, se definitivamente Minotauro e Werdum ficarão estigmatizados dessa forma os próximos episódios do TUF Brasil 2 dirão. Não há como negar é que eles detém o que os participantes precisam absorver não apenas para vencer o programa, mas o necessário para se tornarem heróis do UFC, ou o oposto disso, que, no final das contas, acaba sendo a mesma coisa. Minotauro e Werdum têm as ferramentas, matéria prima na mão e a missão de produzir o novo fenômeno da organização, campeão e ídolo, um atleta preparado nas diversas situações que passam os astros do UFC.

Intrigantemente e naturalmente, no programa alguns lutadores já desenham perfil com as características mencionadas. Entre eles o provocador Willian Patolino chama atenção entre os participantes da casa, inclusive irritando alguns oponentes. Já Yan Cabral, mais comedido, conseguiu a vitória sobre David Vieira mesmo com uma das mãos contundida. Emocionou a todos em mais uma história de superação. Estariam nascendo aí mais um anti-herói e herói?

Vale lembrar que nada adianta se o lutador não reunir o que realmente faz de Minotauro e Werdum grandes campeões: disciplina, técnica, estratégia e garra, entre outras coisas. Os novos heróis terão que provar quem é o melhor dentro do Octógono. Por enquanto, pelo menos, o dever de casa está sendo bem feito. O que virá pela frente?

Minotauro Nogueira - Baiano, de 36 anos, Minotauro conta com 34 vitórias, sete derrotas, um empate e um no contest. Já deteve o cinturão de organizações como UFC, Pride e Rings. Entre as maiores habilidades está o jiu-jitsu, tendo definido 21 lutas através das finalizações. Entretanto, treinado pelo renomado Luiz Dórea, que formou o campeão mundial de boxe Acelino Popó, também sabe trocar socos, tendo vencido três vezes por nocaute. Ainda criança foi atropelado por um caminhão e venceu a primeira batalha da vida, pela sobrevivência. Na carreira, bateu uma lista quase interminável de grandes lutadores, entre eles Randy Couture, Tim Sylvia, Dan Henderson, Mirko Crocop e Mark Coleman. Mas seu combate mais marcante foi contra o dezenas de quilos mais pesado Bob Sapp, em 2002, no Pride Shockwave. Depois de levar sufoco por 14 minutos, definiu com uma chave de braço (armlock) nos últimos instantes. A luta é um retrato da vida do lutador, muita superação.

Fabrício Werdum - Gaúcho, de 35 anos, terá no dia 8 de junho uma revanche contra Minotauro. O "Vai Cavalo" foi derrotado por decisão unânime em 2006, no Pride. Com 16 vitórias, cinco derrotas e um empate, Werdum também é um faixa-preta de jiu-jitsu, inclusive tendo conquistado na arte suave títulos mais importantes que Minota. Apesar da boa desenvoltura na luta agarrada, Fabrício se adaptou bem ao muay thai, treinado pelo especialista Rafael Cordeiro. Por isso, seu cartel é mais homogêneo em termos de finalizações e nocautes, com oito e cinco, respectivamente. Apesar de já ter sido derrotado por Minotauro, Werdum conseguiu o que o oponente tentou e não teve êxito em três tentativas: derrotar Fedor Emelianenko. O russo bateu Rodrigo em duas oportunidades, e houve também um no contest. Além disso, hoje o gaúcho é um lutador mais completo e experiente que o do encontro em 2006.